sábado, 31 de março de 2012

cuidado com o que vc diz por aí - pode ser demais para mim

Depois de sair e encontrar pessoas, deito na minha cama e alguns trechos das conversar daquela noite me vêm a cabeça. Rapidamente, chego a uma consulsão: preferiria não saber tantos detalhes sobre os problemas, crises e dúvidas alheias. Sei que a omissão pode ser ruim, mas a riqueza de detalhes, quando excessiva, também pode ser prejudicial.

Agora, fico eu, com todas estas histórias a povoar minha mente, rezando para que esta lembrança não dure muito. Sim, me dispus a escutar - talvez este seja o erro. Não, não quero saber das suas sujeiras, do quanto você insistiu, do seu desespero desequilibrado nem das mentiras que inventou para justificá-lo.



Se eu quisesse saber sobre bizarrices e dramas, assistiria a um filme do Almodovar.

domingo, 4 de março de 2012

as aparencias enganam


Revistas são ótimas companhias para quem está em trânsito, indo de um lado para outro. Explico porque:
1)      São leves – geralmente, mais do que os livros – e para quem está viajando, peso pode ser um problema ou uma dor nas costas;
      2)      São baratas e podem ser compradas em qualquer banca. Por custarem pouco, você pode simplesmente jogá-la fora depois de ler;
     3)      Mais motivo: a leitura é rápida e fácil, exige pouca concentração. Já experimentei ler Saramago no sacolejo de uma turbulência e é simplesmente impossível – a não ser que vc queria vomitar em cima do livro (não, ele não merece).

Por causa das idas e vindas, tenho me divertido cada vez mais com revistas e, por ler mais, acabei experimentando alguns títulos que não conhecia. Tomei conhecimento da Lola e me encantei: matérias bem escritas, editoriais super bem produzidos, uma revista inteligente e gostosa de ler, em que uma matéria está relacionada com a posterior – fato que cria certa cadência à sua leitura... um verdadeiro barato que recomendo a todas.

Entretanto, fui a uma palestra com a editora da Lola, em Belo Horizonte e assisti Angélica falar até babar sobre a leitora da revista. Sentia que ela estava falando de mim, sobre meus hábitos, neuras, realizações, etc. Gostei tanto de escutá-la que, ao final, quis cumprimenta-la pela apresentação e pela revista:

- Angélica, eu sou Mariana mas acho que, na verdade, me chamo Lola! Me identifico muito com a revista!

- Jura? Que bom, mas vc tem uma carinha de Gloss...
Meu mundo caiu. Putz! Como é que esta mulher me chama de Gloss??? Me senti ofendida! Ela acabou de dizer que sou “novinha” (não do funk, mas bobinha, imatura, juvenil), que precisa de alguém dizendo o que é certo ou errado... Filha da mãe... Se você pegar as duas revistas e coloca-las uma do lado da outra, vai ver do que eu estou falando. Vc também se ofenderia...

Depois disso, minha baixa-estima natural explodiu dentro de mim e me fez perguntar a um amigo, que me acompanhou na apresentação. Ridícula, com olhos de gatinho do Sreck, mas perguntei.

Semana passada, li uma Gloss, que apareceu na minha mesa do escritório, sem nenhum gosto ou admiração. Revistinha fraca, não é para mim... Quer saber, não preciso de editora nenhuma dizendo para mim se sou isso ou aquilo. Como boa Lola que sou, leio a revista que quero, do meu jeito, na minha hora, para mim.

Angélica, com todo respeito, continue fazendo esta bela revista que eu continuarei lendo, lolamente.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Dica de Livro

Sexta-feria pré carnaval, recebi uma mensagem de uma amiga que - coitada - estava  absolutamente entediada no aeroporto, lamentando por ter despachado seu livro e estar sem nada para ler naquela hora. Para resolver o problema, a solução mais óbvia foi dar uma passadinha na livaria da sala de embarque. Em questão de minutos, e com a ajuda do cartao de crédito (uma das melhores invensões do século), ela estaria com um novo título em mãos apreciando o bom hábito da leitura. EstaRIA...

Por que não dá para resolver? Qual o problema com a La Selva??? O mesmo que o de muuuuitas livrarias de hoje em dia:
1) os funcionários não fazem a mínima idéia do que estão vendendo (perdão, http://manualpraticodebonsmodosemlivrarias.blogspot.com/ nem todos são iguais a vc);
2) a qualidade dos títulos é de chorar.

Depois que J.P. (vou manter a identidade de minha amiga anônima somente pelo gostinho do suspense), lembrei q há um tempo, fotografei uma prateleria da La Selva - não por querer todos os livros q ali estavam, mas por revolta mesmo.


Da esquerda para direita: "Os segredos das mulhres inteligentes", "Os homens preferem mesmo as loiras", "O segredo das mulhres apaixonadas", "Jogue fora 50 coisas" (a começar por este livro, né?), "O Poder do charme" (do vendedor)...

Me explica quem está mais errado nesta história: os autores, que se propoem a escrever algo assim; as livrarias que não têm vergonha na cara ao oferecer uma porcaria destas; os leitores que compram isso, repentem a filosofia de buteco que é apresentada nos livros e ainda incentivam tanto as livrarias quantos os autores a produzem mais lixo??

De qualquer forma, deixo uma dica de livro para todos os leitores do blog: não despachem o seu!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Se eu fosse só carnaval

Se eu fosse só carnaval, algumas pessoas teriam dificuldades para me reconhecer. Como confete, pequenos pedaços de mim seriam pulverizados na multidão, sem destino certo, ao vento, sem a mínima possibilidade de voltarem para a mão de onde saíram.
No mEU carnaval, as conversas com pessoas conhecidas seriam mais íntimas, com troca de confidências e opiniões mais sinceras. Com estes, que há muito não vejo, seria capaz de retomar assuntos sem sentir meu rosto queimar de embaraço. Falar da infância, do presente e do que está por vir, sem nunca tocar no assunto “trabalho”. Demostraria alegria e afeto suficientes para transformar conhecidos em amigos.
Abraçaria meus queridos com mais entusiasmo e paixão, sem medo de parecer exagerada. Dispensaria momentos para dizer às pessoas que estão por perto que lembro delas – mesmo que elas não lembrem de mim, não importa.
Poderia ser identificada pela alegria, energia e sorriso.
Só me preocuparia em vestir o que há de mais confortável e carregaria o mínimo comigo – o limite dos bolsos e da memória seriam respeitados. Usaria fantasias – máscaras, não.
Um bigode não seria nunca um problema, especialmente se ele fosse feito com carinho, reciclável e engraçado. Chapéus do tamanho de um bambolê seriam fundamentais para trazer sombra ao rosto, me tornar ponto de referência na multidão ou o motivo da aproximação e/ou curiosidade de uma criança.
Deitar na cama? Só quando eu quisesse. O dia passaria sem nunca ouvir ou levantar a pergunta “que horas são?”.
Se eu fosse só carnaval, o bloco não pararia e todos saberiam tocar e dançar. A caminhada entre um ponto e outro seria ritmada.
Perco a conta pensando quantos assuntos, pessoas e momentos eu teria para sentir se eu fosse só carnaval – e nunca quaresma.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Coisa Fina

Será q vcs ja tiveram a sorte de conhecer o http://manualpraticodebonsmodosemlivrarias.blogspot.com/??
Vi uma pessoa comentando sobre ele no facebook e, atraída pelo título, entrei. Simplesmente adorei! Além do (mal) humor ácido, amei como nossa amiga da livraria fala dos momentos "OLHA....". Eles realmente não são incomuns no dia a dia das pessoas iluminadas por Deus, não é? Fiquei convicta disso na sexta passada, quando eu mesma presenciei um momento "olha...", digno de Manuais Práticos com estes olhos e ouvidos q a terra há de comer.

Eu estava sendo (bem) atendida pelo vendedor de Cds da Leitura - ele estava me mostrando um DVD do George Clinton, um dos grandes nomes da musica negra, gravado em um show no Festival de Montreaux - quando um sujeito de mais de 30 e menos de 40 anos perguntou ao vendedor:
- amigo, oq vc tem ai tipo Lounge?
- Lounge? Tipo oq vc gosta? Tem algum artista q vc prefere?
- Lounge... Para tocar uma festinha, tipo jantarzinho...
(silencio sem sinal de resposta por parte do vendedor)
- Um Lounge, mas eu quero coisa fina, cara!

...
Acho q se fosse eu, saceava e mostrava o CD do Kenny G pro sujeito. Coisa fina, ne?


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

time goes by...


Duas situações (em um mesmo dia) de que tempo é realmente relativo e q eu não tenho a mínima noção dele:

1)      Diálogo na padaria, logo de manhã:

(no caixa, vendo uma caixinha de coelhos de páscoa de chocolate)

Eu – nossa, já é Páscoa!

Caixa – pois é, não chegou nem a quaresma, mas já chegou a páscoa!

Eu – é resto do ano passado?

Caixa – Não. Isso chama “Capitalismo Salvagem”!



2)      Ontem, 02 de Fevereiro, ganhei um calendário de 2012. Hoje de manhã, percebi que deixei aberto na folha referente a Janeiro. Ps: o primeiro mês do ano já passou, filha...


domingo, 15 de janeiro de 2012

Idas e Vindas na Internet

Que a internet tem muita porcaria (mais q a TV), a gente já sabe! Mas outro dia, resolvi levantar mais dados sobre o assunto.

Fui motivada a iniciar esta minuciosa pesquisa quando, inocentemente, pedi q o google me mostrasse imagens relacionadas a palavra-chave "sigilo" - abri o google, selecionei a aba "imagens", digitei "sigilo" e dei enter.

Eu, que estava no trabalho, preparando uma apresentação de treinamento, enrubesci na hora: como que a palavra "sigilo" poderia estar tão relacionada a sexo, sacanagem e outros tipos de putaria?!?! não sou beata, não sou carola mas confesso que não estava esperando ver o que vi, em pleno escritório, a luz do dia!!!

Foi a partir deste episódio que comecei a notar como palavras que, à primeira vista, não têm nada a ver com sexo, estão linkadas ao assunto mesmo assim.

Outras palavras que podem te surpreender:
1) inspiração
2) rejeitados
3) defeito
4) aproveite
5) na hora
6) hein
7) novinha
...

Acho que a D.Bela que estava certa: "vcs só pensam Naquiiilo!!"

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

me enviaram e gostei



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma

do nosso corpo...e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos

mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para

sempre, à margem de nós mesmos."

(Fernando Pessoa)
 

domingo, 8 de janeiro de 2012

memórias culinárias

Domingo de chuva, em casa sozinha.
Mesmo sem ser convidado, o tédio vem e senta na melhor poltrona da sala... Atribuo ao tédio aqueles momentos em que vc se levanta, anda pela casa, olha para o livro que deveria estar lendo mas prefere deixar para depois; ou quando levanta de uma cadeira para se sentar em outra, mais perto da janela, só para olhar o que está acontecendo lá fora - e chega a conclusão que na rua não tem nada de interessante.

O tédio também pode te fazer abrir a geladeira várias vezes, mesmo sem estar com fome, em busca que alguma coisa gostosa que não está lá. Foi em um destes momentos que resolvi fazer um queijo quente de garfo para mim. Espetei uma lasca gorda de queijo canastra no garfo e ascendi o fogão.
Esperando o queijo esquentar e torrar levemente nas pontas, me lembrei do meu pai, fazendo extamente a mesma coisa, há muitos anos atrás na cozinha do primeiro apartamento onde eu morei. Acho que ele adorava queijo quente no garfo e sempre fazia para ele, geralmente nos domingos a noite - provavelmente movido pelo  tédio de domingo.
Eu via,me aproximava e pedia um pedacinho. Papai então pegava outra lasca gorda de queijo, espetava no garfo e esquentava. Como qualquer outra criança, eu ficava doida para a delícia ficar pronta!  Quando finalmente estava no ponto, ele me entregava o garfo com o aviso "está quente!" e eu cai de boca. achava engraçado o barulho que o queijo fazia no meu dente, como se fosse borrracha.

Acho que é impossível comer queijo quente de garfo sem lembrar disso tudo. Enquando eu me deliciava hoje, pensava em outras comidas que me fazem lembrar de pessoas especiais:

- biscoito papa-ovo: vovó julieta;
- queijo quente com açucar (famoso queijinho da bahiana): tia zezé;
- biscoito de castanha do pará / de "luinha": Tia Angélica;
- frango ensopado com cebola queimada: Piê;
- arroz com ovo: meu primo Felipe;
- pastelzinho árabe: tia jane e vovó julieta;
- cocadinha: vovó agustinha;
- macarrão com tutu (com pouco sal): almoços na casa da vovó vitória;
- mate-couro geladinho: peixoto, o moço da cantina do colégio (ele tinha um bigode grisálho e a unha do mindinho maior do que as outras);
- peixe frito e fanta-uva: férias em vila velha;
etc
etc
etc


Quer uma sugestão? Repita este exercício nostáugico. As lembranças também são muito saborosas.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Comentários aleatórios reunidos

ei genten!

não postei, mas escrevi.... juntei papel daqui, notinha aculá e reuni alguns comentários aleatórios por aí...
será q estas mesmas bobagens já passaram por sua cabeça?

Observação 1
- recado às lojas de R$ 1,99: só coloquem o preço de X,99 em suas mercadorias se vcs tiverem moedas de R$ 0,01 no caixa para dar de troco. Se fizerem a revelia, correm o risco de encontraram uma cliente chata como eu, que em "Dias de Fúria", fazem questão do troco. #souchatamesmo



Observação 2
- recado aos homens e (especialmente) mulheres que param em pé, com as pernas abertas: se vcs se vissem no espelho, nesta pose de quem está " arriando" e/ou fazendo xixi em pé, vcs mudariam de posicao.



Observação 3
- fico revoltada quando gente paia gosta das mesmas músicas q eu... dá até vontade de falar que não gosto mais...

Observação 4
 - não sei como os ditados populares se perpetuam... Sim, são dotados de muita sabedoria, mas as pessoas (eu inclusive) fazem tanta confusao com isso... E como resultado, temos citaçoes escabrosas do tipo "na terra de sem dente, cego eh rei", "a menina dos olhos de ouro", "casa vazia, o diabo faz a festa", entre outros.

Observação 5
- Teve show do Tears for Fears em BH, há um tempinho atrás. Como a surdez e/ou criatividade e/ou falta de noção é muita, tinha gente na cidade que achava que o show era das "tias fofinhas"...


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Da Série "Resenhas Musicais" - Umabarahuma

Trilha sonora é fundamental - as imagens ganham mais emoção ou suspense; momentos ficam mais românticos e/ou dramáticos; eventos mais apoteóticos ou catastróficos.
Se vc concorda comigo, vai entender porque resolvi fazer uma série de posts relacionada a Resenhas Musicais. Sem explicar muito - meu sucesso virá se o estilo das resenhas lhe "saltar aos olhos" - segue o primeiro comentário. Vamos lá.


Desafio: Imagine se, ao invés de um jornalista inflamado, os jogos de futebol fossem narrados por um rapper. Como seria isso? Ontem consegui projetar isso perfeitamente - foi só escutar uma versão de 2010 de  Umabarahuma cantada por Jorge Ben Jor e Mano Brown.
A música segue tranquila, com Jorge a frente do microfone com sua rouquidão perculiar. A música "cresce", de foram a preparar espaço para a entrada de Mano Brown.
Ele fala, fala e fala, em uma espécie de enxurrada, de uma forma que consegue (re) construir uma super jogada de mestre, dentro da minha cabeça.
Não sou muito fã de futebol mas, honra seja feita, o esporte no Brasil é algo que pode ser considerado "universal” por aqui. Ele congrega gente dos tipos, jeitos e feitios mais improváveis: rico e pobre, samba-rock e rap, sogro e genro, Brasileiro e Argentino...

Não preciso ir para além da porta da minha casa para comprovar isso: todas as manhã, escuto o catador de papel da rua conversando com o porteiro da escolhinha da esquina - na maior alegria e bom-humor, faça chuva, faça sol: " A Ademig inforrrma: Campeonato Brasileiro. Na Arena do Jacaré, Cruzeiro 0, Atlético 0."

Quer sugerir uma música para a próxima resenha? Comente aí!

Ano Novo, Cara Nova!

Vamos comerçar o ano em grande estilo e de cara nova!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Sempre faço listas de final/início de ano e na virada de 2010 para 2011, inclui nos meus planos a manutenção do blog, com posts criativos e constantes. Hoje, 31/12, acho que falhei.

Vários meses se passaram sem postar um comentário sequer... Juro que tentei: acumulei anotações no celular, papeizinhos dentro da bolsa, lembretes nos cantinhos da cabeça. Mas publicar que é bom, nada.

Acho que isso faz parte do processo do blog – que vai e volta; que vem e que vai.  Agora é hora de fazer uma nova listinha e adivinhe só o que vai estar lá – além de “emagrecer”?? “Manter o blog ativo”.

É assim, sem desistir, querendo fazer o que gosto, disposta a apostar e com os olhos/ouvidos abertos que entro neste ano que vem. Vem comigo?

sábado, 10 de dezembro de 2011

idas e vindas - direto do fantástico mundo de bobby

"ooi! bom te ver... um dia destes a gente combina!" Não é isso que a gente normalmente quando encontra alguém que a muito tempo não vê? pois é... considerando que meu último post publicado é datado de setembro de 2011, achei adequado.

resolvi quebrar o gelo com um comentário feito direto do Fantástico mundo de Bobby - se vc tem mais ou menos a minha idade, vai lembrar deste desenho. Se não, anote aí: Bobby era um menininho cabeçudo e adorável que passava todos os episódios imaginando coisas. Qualquer simples palavra ou expressão ativava a cabecinha (não tão pequena assim) e rendinha uma mega história. Hoje aconteceu exatamente o mesmo comigo - fui e voltei ao Mundo de Bobby para escrever este post especialmente. ( http://www.youtube.com/watch?v=U3aSX_NpQxM&feature=player_embedded)


O ap onde eu moro é habitado por mim + maridão e 8.907.327.391 formigas. Eu vivo mantando uma ou outra, apesar de não gostar, mas sou obrigada a praticar este ato "deshumano" para salvar bolos, biscoitos e coca-colas indefesos. Ultimamente, os ataques dos insetos se intensificou, razão que me motivou a tomar medidas mais emérgicas - como o uso de um inseticida - caseiro, porém letal.

Comecei a observar o comportamento das bichinhas, a medida em que eu sprayava o produto em cima delas. Quando eu percebi, já estava conversando com as formigas - mas nçao muito amigável. Comecei justificando que o ataque aéreo se dava justo que elas estavam invadindo meu território - ali é minha casa e não a delas. quem habilta este lugar sou eu! Acompanhando o movimento do grupo, vi que marchavam de volta para seu escoderijo. Maravilha - agora era´só armar a emboscada! Ajustei o intensidade do tiro do inseticida e iniciei o bombardeio. qual o melhor jeito para pegar o inimigo que não atingir seu abrigo? resultado: segundo depois, as formigas foram saindo do buraquinho, intoxicadas pela fumaça letal no tiro.



Ao poucos, reparei que algumas formigas saiam correndo e encontravam outras tão desembestadas quando e iam em direção a outra - como se se encontrassem para falar "socorro! encontramos nossa caverna! estamos sob ataque! acione todos os alarmes!"; "mulheres e crianças para os abrigos nucleares!"; "deeeeeus, deeeeeeeeus! hoje é o dia do juízo final!!"; "vc viu o roberto?? vc viu ele? como ele está??"; etc.
Ao fim e ao cabo, aos poucos, uma a uma entrava em colapso e parava.

Foi aí quando o telefone do "Bobby" que vos fala tocou e fui me distrair com outra brincadeira...


domingo, 4 de setembro de 2011

No meio do caminho tinha o Wellington

Outro dia me aconteceu algo inédito a bordo do táxi. No caminho para o aeroporto, eu estava calada, pensando na vida e tentando acordar (eram 7 horas da manhã) e, do nada, o taxista fechou os vidros e aumentou o volume do rádio. Cantarolando a música que estava tocando, ele comentou com entusiasmo: “nossa, esta música é bonita demais!!”

Além um susto danado – geralmente, os taxistas são contidos em sinal de respeito ao passageiro! – esta ida (ou vinda), rendeu mais uma entrevista para o blog.  Apresento a vocês Wellington, um taxista conservador.
PERFIL
- 59 primaveras completas;
- Natural de Belo Horizonte – MG;
- Pai de 3 filhos.
PERGUNTAS E RESPOSTAS (texto produzido a partir da entrevista, dos buracos da minha memória e da minha interpretação livre)
M – Então você gosta muito de música, Wellington?
W – Nossa, gosto demais... Mas estas de hoje dia não tão com nada... é tudo porcaria!
Música boa é igual esta aqui [tocava aquela música q não sei o nome, mas é definitivamente muito popular . “Olha a lua branca no céu, amor / Olha nananananananana, amor / nanananannana / Me leva amor... / Por onde for, quero ser seu par...”
Não entendo como este povo consegue ficar escutando este “tuntuntun” por muito tempo... é só para quem tem a cabeça oca mesmo porque aí, o barulho ressoa!

M – E quais as rádios você costuma escutar?
W – Ah, as minhas preferidas são a 96,5 FM, a 100.9 FM, que só tem música brasileira, e a 94,9 FM
[neste momento, começa outra música – Águas de Março, com aElis Regina cantando]
Esta aí, oh... isso sim que era cantora. Isso sim! Quem viu, viu... quem não viu, não vai ver ninguém nem parecido mais! Pena que ela era muito doida, né?

M – É verdade... E você sempre escuta música no carro? Os passageiros também gostam?
W – Eu escuto mais quando estou indo para Confins, porque é mais tranquilo e não tem tanto trânsito e barulho da cidade. Mas isso é quando o cliente não pede para desligar, né? Tem muita gente que não gosta. Aí, tem que respeitar, fazer o que... você não importa não, né?
M – Não, tá tranquilo.
W – Lá em casa, eu gosto muito de escutar música clássica, ainda mais quando estou fazendo almoço – eu sou separado, sabe?. A comida fica até mais ... [movimento com a mão direita, na tentativa de encontrar a palavra perfeita] mais... saborosa!

M – É mesmo? Quem você costuma escutar [confesso que neste momento, ele estava blefando, mas pela resposta, entendi que ele sabia do que estava falando]
W – Ah, Mozart, Schubert, Strauss.
Depois desses caras aí, quem é que fez música bonita deste jeito?? Não tem... O povo gosta da modernidade mesmo, não tem jeito.

M – Tem muita porcaria, mas tem muito coisa nova boa por aí...
W – É, tem... mas olha para você ver [não tem como ser mais mineiro!] o Vinícius de Moraes, por exemplo. Ele era um artista maravilhoso, completo. Não tem o quefalar sobre ele... Quando ele morreu, eu chorei tanto que parecia que ele era meu amigo mesmo, meu parente! Ele escrevia muito bem sobre o amor... Umas letras lindas, todas escritas em mesa de bar... vai fazer isso com seus amigos aí no final de semana para ver se sai alguma coisa parecida... [risos] Não sai não! As palavras do Vinícius eram igual carta no baralho, que se encaixam direitinho...

[fiz uma pausa nas perguntas para dar conta de anotar tudo que ele estava falando, e isso fez com que ele começasse a me entrevistar! Me perguntou sobre onde eu morava, para onde eu ia; estranhou o fato de eu, nova, estar viajando sozinha; perguntou sobre a pessoa com que eu estava no momento em que ele me buscou, etc. Achei melhor retomar a conversa tendo ele como ponto central).

M – Você falou que é separado, né? Não teve filhos? [até hoje, não encontrei nenhum taxista que tivesse filhos na faixa ou mais velhos que 20 anos, que não tivessem cursado Ensino Superior]
W – Sim, tenho 3. O meu mais novo também gosta muito de música. Ele toca Trompete de vara.

M – É mesmo? Esta é a profissão dele?
W – Não. Na verdade, meu filho estudou Educação Física... ele é muito inteligente, sabe? Agora, ele é professor de dança de salão. É o que ele gosta de fazer. Eu não sou muito a favor não... queria que ele arrumasse uma coisas que desse mais dinheiro, né?

M – Mas se ele for bom mesmo, consegue fazer uma graninha boa...
W – É, mas pai e mãe quer é que o filho tenha uma profissão mais comum. Assim... mais reconhecida... Também não gosto muito dele neste meio artístico. Tem muita coisa errada por aí.

M – Ah, mas isso tem em todo lugar...
W – É, mas acho que no meio artístico é pior... é sujo, tem muita droga. Você sabe: o que você faz para a Velhice, começa quando se é novo...
E assim, chegamos a Confins.

Obrigada, Wellington pela carona e pela conversa.
(anotações feitas em março de 2011)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Saldo rápido de uma viagem rapidinha

O aeroporto vem sendo, cada vez mais, frequentado de forma corriqueira pelas pessoas. Foi em uma destas Idaevindas que me deparei com as seguintes cenas/situações:


- uma mulher com rolinhos na cabeça;
- três pessoas conhecidas na mesma sala de embarque;
- uma tesourinha do kit costura perdida – entregue a turminha do raio x;
- vários fãs do U2 rumo ao show em plena quarta feira;
- um pequeno engano da mocinha ao microfone: “A Trip Linhas Aéras tem o prazer de apresentar o vôo ..."  (talvez ela vá muito ao teatro ... sei lá...).

domingo, 14 de agosto de 2011

Só observando: japoneses no uruguai

(anotações feitas em uma viagem rescente)

Estou aqui no terminal de barcos e acaba de chegar um grupo de cerca de 30 adolecentes japoneses / orientais. Além das espinhas na cara, todos têm muitas câmeras digitais e ipods nas mãos. Alguns usam óculos (daqueles de acetato quadrado).
O que mais me impressiona no grupo é o fato de estarem conversando e, mesmo assim, conseguirem ser tão silenciosos. Respeitosos. Fico pensando que se fossem brasileiros, eu não estaria conseguindo escutar nem o som do meu pensamento neste momento...
Pausa para a observação.


Pronto. Do mesmo jeito que chegaram, se foram.
Viva a diferença entre os povos.


sábado, 13 de agosto de 2011

A caminho do aeroporto

O aeroporto internacional do Uruguai fica em uma cidade próxima a Montevideo, chamada Carrasco e, por isso, é um pouco afastado do centro / onde tudo acontece. Quando chegou minha hora de ir embora da capital uruguaia, resolvi ir ao aeroporto em um ônibus local, que sai de uma espécie de rodoviária de Montevideo - ou seja, nada de táxi nem vans alugadas.

Esta escolha significa que eu gastaria cerca de 1 hora para chegar ao terminal - tudo bem e dentro da média, se comparada a BH-Confins, Sao Paulo-Guarulhos, etc. Entretanto, o que eu não esperava era que o trajeto fosse ser marcado/recheado pela presença massiva de vendedores ambulantes entrando e saindo do ônibus a cada minuto. Foram tantos que ficou até engraçado (na verdade, ninguém estava ali de brincadeira ou para se divertir, pelo contrário, mas a intensidade chamou a atenção) e achei que valia fazer um registro. Imaginem a situação:

1) dois homens com violão entram no ônibus na parada número 3 e tocam suas músicas para levantar uma "plata";

2) os músicos saem no ponto 4, e, imediatamente, entra um vendedor de meias. Na minha tradução livre, eram "meias esportivas, meias calças, meias soquetes, meias para homens e mulheres, meias para meninos e meninas. meias de todos os tipos e todos os gostos".

3) uma parada a frente - ponto 5 - se aproxima um vendedor de carteiras de couro, que chega a colocar o pé na escadinha do ônibus. Porém, vendo que a concorrência estava a bordo (o vendedor de meias), pede desculpas ao motorista e dá meia volta;

4) no ponto 6, desce o vendedor de meias e subem duas garotas oferencendo condimentos em um pacotinho costurado por elas e outras meninas de uma associação de menores abandonados. Segundo a fala de uma delas, "são 40 meninas que foram abusadas sexualmente e/ou se recuperam do uso de drogas" (novamente, traduçao livre). A dulpa fica uns 3 pontos dentro do ônibus e aproveitam para falar mais sobre a associação para uma tia q tinha um caso complicado na família;

5) por volta do ponto de número 10, entra mais uma doninha, carregada de mil coisas pregadas em uma espécie de arara: piranhas de cabelo, cordinhas para crachá, capa para celulares e bugingangas em geral. Me chama a atenção, o ritmo com que a moçinha fala, tipo para memorizar. Nanananana nanananana e nana na nana. Nanananana nanananana e nana na nana. Coitadinha. Esta nao vende nada, tadinha...


(imagem meramente ilustrativa)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

vídeos lindos!!

Segundo o site http://www.updatedordie.com/ , seguem 3 vídeos que trazem motivo suficiente para vc se levantar da cadeira e viver a vida por aí!

http://vimeo.com/27243869 - EAT

http://vimeo.com/27244727 - LEARN

http://vimeo.com/27246366 - MOVE

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Dica Literária - Parte III

O último poema

"Enquanto me davam a extrema-unção,
Eu estava distraído...
Ah, essa mania incorrigível de estar pensando sempre noutra coisa!
Aliás, tudo é sempre outra coisa
- segredo da poesia -
E, enquanto a voz do padre zumbia como um besouro,
Eu pensava era nos meus primeiros sapatos
Que continuavam andando, que continuam andando,
Até hoje
Pelos caminhos deste mundo."

Mário Quintana